Por que este arquivo?

Esquecer é a segunda vitória da opressão.

A primeira foi o encerramento. A segunda é agir como se o que foi encerrado nunca tivesse existido. Este arquivo foi construído contra a segunda.

A história não se resume ao que os poderosos escrevem. Este arquivo é o que os vivos escrevem.

Dimensão

Os números são abstratos. As pessoas por trás deles não são.

1.500+Instituições encerradasCom uma única assinatura, de um dia para o outro
150.000+Trabalhadores afetadosPassaportes cancelados
0Direito de recursoJustificado pelo estado de emergência
2 anosEstado de emergênciaO mais longo na história da República

O Problema

Encerrar não foi suficiente. A memória também foi apagada.

Encerrar uma instituição é um ato jurídico. Mas o silêncio que se segue é um cerco coletivo. Quatro formas deste apagamento:

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Apagamento físico

Os edifícios são usados para outros fins. As placas foram retiradas. Até as árvores no pátio ainda estão lá, mas a memória da instituição foi arrancada.

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Apagamento histórico

As instituições encerradas foram removidas das estatísticas oficiais. Ausentes dos livros escolares. Citação académica proibida. Como se nunca tivessem existido.

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Apagamento identitário

Ter-se formado nessas instituições tornou-se um risco. Muitos removeram do CV. A frase "estudei lá" tinha que ser pronunciada como uma confissão.

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Silêncio social

As famílias não contam nada aos filhos. Os amigos não partilham. O silêncio do bairro é uma censura mais eficaz do que as proibições oficiais.

Por que este arquivo existe

Lembrar, lembrar aos outros, contar.

Este arquivo existe para levar ao futuro uma memória que se pretendia apagar.

Essas instituições eram outrora parte natural da vida cotidiana das cidades e das pessoas.


No pátio de uma escola, ouviam-se as vozes alegres das crianças. Nos corredores de um hospital, trabalhavam profissionais de saúde dedicados a ajudar as pessoas. Em uma redação, jornalistas perseguindo a verdade; em uma organização de ajuda, voluntários batendo nas portas dos necessitados.


Em uma fundação, pessoas trabalhando para reunir diferentes segmentos da sociedade e criar ilhas de paz. Em uma residência estudantil, funcionários trabalhavam dia e noite para atender às necessidades dos estudantes. Em uma sala de leitura, estudantes vivenciando a alegria do aprendizado gratuito — os futuros professores, médicos, engenheiros.


Então uma pesada nuvem negra desceu sobre o país. As portas foram fechadas, as placas retiradas, os arquivos silenciados, os nomes deveriam ser apagados. Mas fechar uma instituição não significa que ela nunca existiu. Selar um prédio não apaga a bondade, o esforço, o conhecimento, a oração e a esperança que viveram nele.


Este arquivo existe para preservar a memória das instituições fechadas, confiscadas ou silenciadas por sua proximidade com o movimento Hizmet. Porque esta história não é apenas a história das instituições - é a história de professores, médicos, empresários, jornalistas, estudantes, famílias, voluntários e pessoas que acreditavam no bem.


Hoje há pessoas que não sabem nada disso. Na Turquia, na Europa, na América, na África, nos cantos mais remotos do mundo... Os nascidos depois, os que cresceram falando outro idioma, os que ainda não começaram a perguntar: «O que havia acontecido?»

Este arquivo foi criado para dar a essa pergunta uma resposta que coloca a dignidade humana em seu centro.

Turco, inglês, alemão, francês, árabe, espanhol, italiano, português, grego e russo... Em dez idiomas, para contar a mesma verdade:


Eles eram as pessoas deste país. Trabalharam, multiplicaram o bem, deixaram traços belos. Aquelas instituições fechadas eram as marcas do bem que deixaram para trás. É por isso que esta memória não pode ser apagada.

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Tornar a existência visível

Havia lá um professor. Um médico, uma enfermeira, um jornalista, um estudante, um voluntário. Atrás de cada instituição fechada fica uma história humana, um esforço, uma oração, uma memória. Este arquivo existe para tornar visível novamente essa presença «apagada».

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Transmitir às gerações

Há pessoas que não sabem hoje. Amanhã haverá crianças, netos, estudantes que quererão saber. «O que era aquele lugar?», «Quem estava lá?», «Por que foi fechado?» perguntarão. Estas páginas estão sendo preparadas para que essas perguntas não fiquem sem resposta.

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Contar ao mundo em 10 idiomas

Esta dor não ficou dentro das fronteiras de um único país. Famílias separadas, escolas fechadas, meios de comunicação silenciados, fundações confiscadas deixaram uma memória que se estende a todos os cantos do mundo. É por isso que este arquivo fala em 10 idiomas: turco, inglês, alemão, francês, árabe, espanhol, italiano, português, grego e russo.

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Torná-lo visível

O silêncio não cura a ferida. Nomear o que aconteceu, registrar os perdidos, lembrar as pessoas e instituições tornadas invisíveis — isso faz parte da cura. Este arquivo existe não para a vingança, mas para a memória, a justiça e a dignidade humana.

groups

Este arquivo é gerido por investigadores, jornalistas, ativistas de direitos humanos, especialistas em tecnologia e voluntários que desejam contribuir.

A nossa preocupação comum não é política, é humana: evitar o apagamento da memória. Todos os que se opõem à opressão têm um lugar neste arquivo.